segunda-feira, 21 de maio de 2012

História e Patrimônio Cultural - Brasil


O que é Nação?
Nação é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes, formando assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional.

Nação Brasileira

A preocupação, de tentar construir uma identidade brasileira, começou no século XX, pois no século XIX, grande parte da população não era considerada oficialmente como brasileira. A partir 1930, os órgãos governamentais começaram a introduzir elementos na nossa cultura, como por exemplo: o futebol, o carnaval, a feijoada, etc.
Nesse período, na primeira metade do século XX, foi construída a imagem do brasileiro. Um povo cordial, bem-humorado, alegre e não racista. Porém, é válido ressaltar que os órgãos governamentais tentavam introduzir uma identidade, mas ela só foi aceita porque o povo se identificava com ela.
A identidade brasileira demonstra os vários povos que constituíram a demografia do Brasil: indígenas, europeus, africanos, asiáticos, árabes etc. A nossa realidade cultural é fruto de uma mistura de elementos de quase todos os grupos étnicos do mundo.

O Brasil crioulo nasceu nos engenhos nordestinos. Primeiramente vamosentender esse sistema. O funcionamento e a instalação de um engenho de açúcardemandava grandes investimentos, assemelhando-se a uma fábrica tanto pelos processosindustriais que realizava quanto pela necessidade de gerência de mão-de-obra. Alémdisso, demandava uma especialização de funções. Foi a economia do açúcar que nosinseriu no mercado mundial.


Brasil Crioulo
O Brasil crioulo nasceu nos engenhos nordestinos; não havia espaço para o negro se estruturar como família e este, mesmo quando livre, continuava a depender do sistema. Isso gerava uma pressão conformadora tremenda, pois não havia espaço para uma reforma estrutural na sociedade.
Segundo Darcy Ribeiro; Na vida do açúcar, o trabalhador rural não tinha nenhuma perspectiva de possuir terras, eles buscavam apenas uma melhora na sua condição devida; diferente do sistema feudal, que se caracterizava pela auto-suficiência, em que o senhor queria zelar pela sobrevivência do feudo. A função do povo era a de sobreviver de acordo com a sua concepção de vida.
O negro se assemelhava a um trabalhador de fábrica, cuja função era gerar lucro.
Nos engenhos, surgiam populações dedicadas ao cultivo de outras atividades. Esses produtos eram vendidos nas feiras. Essas atividades eram a pesca, lavouras de tabaco, que era a principal moeda de troca por escravos, granjas etc.
O fato de o senhor de engenho residir no local, ou seja, na casa grande, estreitou o relacionamento entre eles e os negros. Muitos destes iam trabalhar dentro da casa, como mucamas ou serviçais e eram diferenciados dos escravos do eito. Isso fez surgir um patrimônio de costumes, usos, atitudes comuns entre senhores e escravos, que se transmitia entre as gerações.
Uma dificuldade enfrentada pelo sistema açucareiro foi a resistência do negro, o que gerou revoltas como a de Palmares, fundada em moldes culturais neobrasileiros com modos e língua iguais à área crioula. Outra revolta foi a de Pernambuco em 1817, incentivada pela Revolução Francesa. A abolição da escravatura iria possibilitar apenas ao negro a integração social através do regime de agregação e incentivou a integração das etnia.


Brasil Sertanejo
A economia sertaneja surgiu como dependente da açucareira, pela pastagem de gado introduzido no Brasil pelos portugueses e trazidos de Cabo Verde. O vaqueiro tinha um relacionamento com o seu senhor dotado de muito mais respeito mútuo e dignidade, e recebia seu salário em reses (animal quadrúpede que se abate para a alimentação do homem) e em sal.
Esse sistema, com o tempo, recebeu muitos mestiços que não tinham lugar no sistema açucareiro, que não permitia muitos intermediários no processo de produção de açúcar, com a esperança de um dia se tornarem criadores. Isso tornou dispensável a massa escrava. Com a expansão dessa atividade, nasceram as estradas, vilas e feiras de gado. Os mais pobres se dedicaram aos pastos de bode. O sistema passou a não absorver a massa de trabalho disponível com o crescimento do número de vaqueiros na fazenda. As populações excedentes se dedicavam a atividades extrativistas como a extração da carnaúba, da cera, e da palha
Descobriu-se o cultivo do mocó, que passou a ser cultivado por muitos por todo o nordeste sertanejo. No interior o sertanejo se dedica ao garimpo de minerais e pedras semi-preciosas. Os sertanejos que escaparam do domínio de seus senhores, formaram frentes de exploração à Amazônia para explorar as drogas de mata e o coco babaçu.
O povo sertanejo é marcado na sua religiosidade pelo fatalismo messiânico, como na guerra de Canudos e no cangaço, pela sua rusticidade e brabeza. Eles se mostram como um povo isolado e rústico, porém, esse isolamento vem se quebrando com o contato com outra gente pelas estradas e com os cinemas das vilas. Com o contato de alguns sertanejos com os centros urbanos, criaram-se as ligas camponesas e os sindicatos rurais.O povo sertanejo viveu sempre com a ameaça de seca e em absoluta miséria, o que exigiu do governo medidas de socorro e amparo.


Brasil Sulista
A sua principal característica é a heterogeneidade cultural. São eles:
1) os lavradores matutos de origem açoriana que ocupa a faixa litorânea do Paraná para o sul;
2) os gaúchos da zona de campos da fronteira rio-platense e bolsões pastoris de SC e PR;
3) os gringos descendentes de imigrantes que ocupam uma faixa central avançando sobre as outras.

O sul surge graças às missões espanholas, de inspiração antigentílica. A criação do Brasil Sulino se deu primeiro com a criação das missões e depois com a incorporação daqueles que nela viveram à exploração mercantil das vacarias.
O adjetivo "caipira" é geralmente empregado de forma jocosa por uma grande parcela da população. Ser caipira muitas vezes é ser confundido como tolo, sem jeito, inocente, inadequado ou simplesmente sem cultura ou pouco inteligente.
O sudeste era considerado a periferia; Em São Paulo falava-se até um linguajar particular, a Língua Geral, que nada mais era do que a mistura do português com a variante do idioma dos índios.
Na região Sudeste, mais precisamente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e norte do Paraná, eram uma região muito pobre e as pessoas viviam de forma muito precária, parecido com o modo de vida dos índios da região.
Os índios foram integrados à sociedade paulista para serem combatentes em batalhas, já que o povo paulista era muito batalhador, como não havia engenhos, eles tinham que conquistar riquezas de outras maneiras, uma delas era com a guerra. Como a população feminina portuguesa era insuficiente, foi bastante comum o cruzamento entre portugueses e as índias, o que originaram os mamelucos e esses posteriormente os caipiras, que nada mais é, que a mistura entre o português e o índio muitas gerações depois.
São Paulo surgiu com uma configuração histórico-cultural de povo novo.
A região Sudeste permaneceu pobre até a descoberta de ouro e de diamantes, principalmente em Minas. Com isso a região ficou super valorizada e uma migração em massa aconteceu na região com pessoas vindas do país todo e de Portugal, consequentemente a região transformou-se na área mais densamente povoada das Américas. Os mineiros a se vestir conforme a moda européia, faziam arquitetura e pintura da mais alta qualidade, criando o barroco brasileiro, leitura lírica e até política libertária.
Com a decadência do ouro, toda a área submerge numa economia de pobreza, com a regressão cultural resultantes. Antigos mineradores e negociantes se transformam em fazendeiros; artesãos e empregados se fazem posseiros; citadinos ruralizados espalham-se pelos matos, fazem-se roceiros de lavouras de subsistência, criadores de gado, cavalos, burros e porcos.
Com isso nasce a cultura brasileira rústica, que se fala a língua portuguesa com influência indígena.
A vida rural caipira o condiciona a um horizonte culturalmente limitado de aspirações, que faz parecer desambicioso e imprevidente.
O caipira não cresceu com a sociedade capitalista, ele preservou sua cultura e princípios. Eram donos de pequenas propriedades e nunca muito distantes de outros moradores, foi assim que muitas vilas apareceram.
Com a valorização das terras, os caipiras aos poucos foram perdendo a propriedade das mesmas para os grandes fazendeiros, sendo assim, eles tiveram duas opções: trabalhar para os grandes proprietários ou então virarem meeiro ou arrendador.
Não foram poucos que viraram reféns dessa técnica dos donos de grandes propriedades e por anos e anos muitos caipiras viviam nessas condições, trabalhavam em terras alheias e pagavam uma espécie de talha.

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